Como aumentar a participação do Brasil no Comércio Mundial?
A opinião destes profissionais com relação a "MARCA BRASIL".
Qual a opinião dos profissionais do Porto de Santos com relação a competitividade do Brasil com relação ao mundo?
Essas e outras questões foram abordadas nesta pesquisa, a pesquisa foi feita por um aluno de Relações Internacionais á partir de um "PROJETO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA".
1 INTRODUÇÃO
A presente pesquisa procurou abordar sobre diversos temas a opinião dos profissionais de comércio exterior durante o ano de 2008, profissionais de diversas áreas como despacho aduaneiro, agências marítimas, armadores, corretoras de café, terminais marítimos e diversas empresas e profissionais da área de comércio ou relações internacionais.
Os assuntos abordados foram:
a) Se determinadas ações econômicas efetivas pelo governo seriam eficazes no aumento da participação do Brasil no comércio mundial;
b) Na melhoria do sistema educacional seria teria efeito no aumento da participação do Brasil no comércio mundial;
c) Se o programa PAC ( Plano de Aceleração do Crescimento) seria suficiente para o aumento do PIB para os próximos anos;
d) A terceira questão foi referente aos problemas enfrentados pela infra-estrutura logística, foi proposta opiniões de três especialistas sobre o assunto, se a opinião desses especialistas teriam efeito sobre a melhoria do sistema de transportes do país;
e) a opinião dos profissionais do porto de Santos com relação á instituições que possuem extrema importância no auxílio do país na busca do aumento do PIB e participação no comércio mundial: Sebrae, no auxílio ás pequenas empresas em se extruturarem para competir no mercado global. Sua atuação no mercado seria: boa, ótima, regular ou péssima. BNDES ( BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL) da mesma forma, se atuação do Banco no financiamento das empresas para exportações estaria de acordo com as perspectivas de mercado. APEX, instituição nacional criada para promover os produtos nacionais e a “ MARCA BRAZIL” pelo mundo.
f) O que seria mais importante para o país investir em produtos agrícolas onde, de fato, o Brasil possui uma enorme vantagem comparativa com relação aos outros países ou investir em produtos manufaturados ( industrializados ) onde, esses produtos possuem maior valor comercial no mundo;
g) Como é visto a participação do governo federal em diversas questões referente ao aumento da participação do Brasil no comércio mundial, como por exemplo a redução dos custos de produção, tecnologia, educação na participação conjunta com a iniciativa privada;
h) Foi perguntado também se o Brasil conseguiria manter sua vantagem comparativa em relação aos Bio - combustíveis principalmente em direta relação de competitividade com os E.U.A.;
i) A “MARCA BRASIL “ está sendo bem divulgada no exterior, o marketing com relação aos produtos brasileiros pelo mundo está sendo feita de forma eficaz;
j) Foi perguntado aos profissionais do porto de Santos se estaria correta a posição do governo Lula, com relação a política externa, (política multilateral), com o objetivo de não formar dependência á outro país desenvolvido principalmente com relação aos E.U.A, formar parcerias com outros países emergentes;
k) A tecnologia dos produtos nacionais estariam preparados para enfrentar o mercado global;assim como as multinacionais brasileiras e os profissionais que atuam na área de produção industrial, comércio exterior e relações internacionais.
A segunda parte do questionário é sobre os problemas da valorização do dólar, como atrair investimos estrangeiros diretos (I.E.D) e qual seria a principal característica de um profissional de comércio exterior e relações internacionais deveria ter para se enquadrar no mercado global.
O primeiro gráfico, apresentado a seguir, mostra como foram divididas as diversas áreas de atuação do porto de Santos, num total de 51 empresas entrevistadas no ano de 2008 a partir de um projeto inicial de 63 empresas.

2. RESPOSTAS DOS QUESTIONÁRIOS
2.1 Políticas de Governo

O gráfico A.1.1 mostra de um modo geral, que a maioria dos entrevistados discorda em grande parte das políticas governamentais atualmente em vigor, com exceção da ampliação dos gastos públicos.Somente as áreas de despacho aduaneiro e armadores não concordaram fortemente com a afirmação.
Em questão ao controle do câmbio ( Mercado controlado de câmbio ) existem algumas características negativas que precisam ser mencionadas como:
a) o turista que viaja para o exterior só pode levar um montante de moeda estrangeira estabelecida pelo governo;
b) os cidadãos e as empresas não podem manter contas no exterior;
c) as taxas de compra e venda de moeda estrangeira são estabelecidas pelo governo, que nem sempre levam em conta as necessidades econômicas, mas as conveniências políticas.
Estes métodos são muito utilizados em países que adotam políticas de esquerda.
Ao contrário ao mercado controlado, adota-se o ( Mercado livre de câmbio ), possui algumas características positivas que precisam ser mencionadas:
a) as taxas de câmbio são fixadas livremente pelo mercado;
b) os participantes podem manter contas no exterior;
c) podem também manter conta no próprio país em moeda estrangeira.
Gilberto Dupas em artigo publicado em O Estado de S.Paulo, de 13-1-2001, diz o seguinte:
a) toda economia de mercado bem sucedida tem de combinar Estado e Mercado;
b) os países que tiveram melhor desempenho foram os que liberalizaram parcial e gradualmente sua economia.(MAIA, 2007)
Esta afirmações vão de encontro com a opinião dos entrevistados que consideraram que a ampliação dos gastos públicos seria outro método eficaz, corroborando a atual política de governo nesta área em relação aos programas assistenciais para a população de baixa renda.
A política educacional eficaz também teve bastante aceitação em todas as áreas entrevistadas, com concordância em torno de 65%, como mostra a figura A.1.2.

Como exemplo da importância da educação, é possível citar o caso da Coréia do Sul, um país que possue grande destaque no cenário internacional e que exporta produtos com alto valor agregado devido aos grandes investimentos em educação que teve ao longo de 4 décadas. Em 1960 a Coréia possuía a metade da renda per capita brasileira, porém, de 1960 até 2005, a renda coreana aumentou espantosamente a níveis de países desenvolvidos. Com o fim da guerra entre as duas Coréias, a Coréia do Sul, concentrou mais seus esforços em torno do ensino fundamental enquanto que o Brasil gastou recursos nas universidades. Segue abaixo mostra alguns números comparativos:
Enquanto que no período de 1960 á 2005 a "renda per capita" no Brasil subiu de US$ 1800 para US$ 7500.
Na Coréia do Sul neste mesmo período a "renda per capita" subiu de US$ 900 para US$ 17900.
Em 2005, o Brasil possuia 18% dos jovens na universidade, na Coréia do Sul 82%.
Em 2005, o Brasil possuia 12000 artigos científicos, na Coréia do Sul 17000.
Em 2005, o Brasil possuia 221 número de patentes , na Coréia do Sul 2947.
(fonte: Revista Veja, 2005 )
Na terceira questão abordada sobre as políticas de governo investigou-se a opinião sobre o aumento das exportações, das importações e as políticas de incentivo a ciência e tecnologia. Todas as áreas entrevistadas tiveram uma concordância com esta afirmação em torno de 80%, conforme a figura abaixo:


De fato, o aumento das exportações parece ser algo que precisa ser considerado como “mola” propulsora do desenvolvimento do país. Em 2006, o Brasil somente permanecia com 1,17% do comércio mundial ( MDIC,2007).
O aumento das importações também precisa ser levado em consideração pelo fato de o Brasil ainda precisar importar tecnologia de outros países e também porque o comércio mundial de certa forma é uma via de mão dupla, como as teorias da vantagem comparativa de David Ricardo ( séc. XVII) onde o país em negociações com outro irá se especializar na área em que lhe for mais conveniente enquanto que o outro fará o mesmo, então, ambos exportarão produtos de sua especialidade.
O incentivo em relação a ciência e tecnologia, se deve ao fato de que um produto com alto nível tecnológico possuirá maior valor agregado.
De 1965 até 2005, as exportações de produtos manufaturados passaram de 8,1% para mais de 55%, enquanto que os produtos básicos reduziram sua participação de mais de 81% para pouco menos de 30%, más, o Brasil ainda está muito longe de países como Japão e Coréia do Sul que exportam em grande parte produtos com alto valor tecnológico.
A quarta questão foi referente à política econômica do governo.sobre a administração do câmbio em nível favorável as exportações e mais subsídios á substituição de importações. Também houve aceitação a essas afirmações; somente a área de despachantes aduaneiros teve concordância em torno de 30%. A ressaltar está o fato de que entre os armadores houve uma aceitação de 100% dos entrevistados.
A administração do câmbio foi citada na questão anterior, com relação aos subsídios, uma prática muito utilizada entre os países da Europa e E.U.A. para defenderem seus mercados agrícolas contra grandes produtores de grãos, principalmente o Brasil, porém, esta pratica não é muito tolerada pela Organização Mundial do Comércio, os países podem se sentir prejudicados e entrarem com “ações” junto a este órgão internacional.

O que se tem muito utilizado para que os países possam defender seus mercados é a prática de barreiras técnicas, onde o país impõe condições difíceis de serem superadas para que outros produtos possam entrar em seus mercados. Por exemplo os E.UA. impõem que para se importar abacaxi em seu mercado, a fruta precisa ter a mesma condição de acidez que as frutas do Havaí.
Com relação ao PAC ( Plano de aceleração do crescimento ), a opinião dos profissionais do Porto de Santos, de acordo com a pesquisa os profissionais em todas ás áreas entrevistadas não se mostraram entusiasmados com o programa do governo, nas áreas de terminais marítimos e outras empresas entrevistadas 0% concordaram com a eficácia do projeto as demais áreas se mostraram á favor em cerca de 30% dos entrevistados, em observação o profissional da agência marítima Expeditors se mostra á favor com o programa porque haverá mais investimentos no setor de infra-estrutura.

O representante da agência marítima Maia se mostrou contrário ao programa devido os recursos serem insuficientes para o aumento da competitividade em relação á outros países. O programa teria, inicialmente, o objetivo de aplicar durante os próximos quatro anos uma quantia de 503,9 bilhões de reais na área de infra-estrutura, considerada como o principal “gargalo” para as exportações nacionais, os investimentos serão feitos nas áreas de transporte, energia, saneamento, habitação e recursos hídricos.1
Os investimentos criados pelo programa estão organizados em três eixos principais:
a) infra-estrutura logística, para a construção e ampliação de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias para que o custo do transporte diminua gradativamente.
b) Os outros dois são infra-estrutura energética e infra-estrutura social e urbana.
Com relação à infra-estrutura logística, a previsão para os investimentos de 2007 a 2010 são da ordem de 58,3 bilhões de reais, com isso o programa tem o objetivo de estimular a eficiência produtiva dos principais setores da economia, impulsionar a modernização e a tecnologia, com isso acelerar o crescimento nas áreas já em expansão e ativar áreas deprimidas, aumentar a competitividade nacional e integrar o Brasil com os demais países da região e do mundo.
Para o Senhor Flávio Benatti Presidente da Seção de Cargas da Confederação Nacional de Transportes (CNT), defende para a melhoria do sistema de infra-estrutura e transportes seria aumentar os investimentos e as parcerias público privadas de longo prazo.

Os entrevistados se mostraram á favor sobre esta tese, em todas as áreas houve concordância em mais de 55% de aprovação, as diversas empresas de outros setores da economia se mostraram á favor em 100% dos entrevistados, os corretores de café se mostraram á favor em mais de 80% dos entrevistados e os profissionais das agências marítimas se mostraram á favor em 86% dos entrevistados.
A tese do senhor Roberto Nogueira, conselheira da Confederação Nacional do Comércio (CNC) defende investir na tecnologia da informação para apoiar o transporte logístico, obteve uma maior aceitação quanto aos entrevistados com relação á questão anterior, em quatro áreas diferentes obtiveram 100% de aprovação dos entrevistados, o setor de terminais marítimos concordam em mais de 70% dos aprovados e os profissionais das agências marítimas foram em 86% dos entrevistados em concordância com a tese de que a tecnologia da informação seria um elemento vital para o aumento da competitividade das exportações nacionais como mostra a figura na próxima página.
A3.2.

O secretário – executivo da confederação Nacional da Indústria (CNI ) Wagner Cardoso defende a tese para a solução para o problema dos transportes seria aumentar a eficiência da gestão do Estado, desenvolver uma cultura de planejamento no setor de transportes e estimular a competição nos mercados, em duas das áreas entrevistadas tiveram aceitação em 100% dos entrevistados ( armadores e terminais marítimos )somente os corretores de café tiveram aceitação em pouco mais de 66% dos entrevistados.

Ao observar ás três idéias dos especialistas, veremos que houve uma enorme aceitação em todas as áreas entrevistas, a pesquisa entende que uma tese complementa a outra, a pesquisa compreende também que o país poderia tornar-se competitivo se investisse nas três idéias dos especialistas investindo na tecnologia da informação, na competição dos mercados e investir na modernização dos modais de transporte.
A avaliação por parte dos profissionais que atuam no porto de Santos, a participação do SEBRAE, BNDES e APEX, com relação atuação, quando menciona-se como meta o aumento da participação do Brasil no Comércio mundial.O professor Abner, especialista em Direito Internacional, fez uma observação á esta questão quando entrevistado pela pesquisa, o professor defende a tese de que deveria haver uma avaliação individual das instituições e não de modo geral.

Entretanto, os entrevistados se mostraram dispostos á opinar sobre o desempenho dessas instituições. de modo geral, o desempenho do SEBRAE, BNDES e APEX foram avaliadas como regular pelos entrevistados em todas as áreas com cerca de 40% dos entrevistados, na área de Corretores de Café a nota “REGULAR” foi obtida em até 65% dos entrevistados, então, a pesquisa entende de que há um descontentamento por parte dos entrevistados e que a atuação dessas instituições poderia ser feita de modo mais expressiva.
Perguntado sobre a questão, onde o país deve investir em seus produtos, onde o país é competitivo no setor agrícola ou no setor industrial, onde os produtos possuem maior valor agregado, porém, o Brasil, ainda não se mostra competittivo neste setor, houve entrevistados que opinaram em colocar em ambas as áreas, no setor de terminais marítimos 40% dos entrevistados concordaram em investir no setor industrial, agrícola em pouco mais de 15%.

Empresas diversas 80% dos entrevistados opinaram á favor dos produtos industrializados e nenhum entrevistado se mostrou á favor aos produtos agrícolas.
A área agrícola se mostrou á favor em 40% na área de setor de corretores de café e no setor de despachantes aduaneiros a idéia de se investir em ambas as áreas se mostrou mais forte com 40% em concordância .
O Brasil no começo de sua história ao relacionar-se com outros países, pensava-se, que ao relacionar-se com os E.U.A. outro grande pais americano que estava se destacando no cenário internacional, o Brasil poderia se promover em conjunto os dois gigantes das Américas, porém, ao longo de sua história, o Brasil, foi percebendo que se promover no cenário internacional não poderia buscar parcerias “bilaterais” e sim “ multilaterais “ sobre o ponto de vista que os interesses brasileiros são diferentes dos interesses norte-americanos.

A avaliação dos profissionais do Porto de Santos quanto a participação do governo federal na redução dos custos de produção, nos investimentos em tecnologia, educação e na participação conjunta com a iniciativa privada, se mostrou no geral como regular, analisando o gráfico vemos que em todas as áreas mencionadas a nota “ REGULAR” se concentra em torno de 60% dos entrevistados.
A nota “ÓTIMO” aparece em somente duas das áreas mencionadas: Agências Marítimas e Despachantes Aduaneiros com somente 10% dos entrevistados, em outras áreas em questão sequer foi mencionado.
O que se pode entender ao analisar estes dados, um descontentamento por parte da iniciativa privada com o papel do governo no sentido de auxiliar o país, em buscar uma maior participação no comércio exterior mundial.
Perguntado se o Brasil teria condições em se manter líder no mercado mundial de combustíveis renováveis , mantendo sua vantagem comparativa em relação aos outros países, principalmente em competição com os E.U.A., seu maior adversário neste setor.

Em todas as áreas os entrevistados se mostraram confiantes, somente na área de armadores marítimos os entrevistados se mostraram á favor em pouco mais de 33% dos entrevistados, os corretores de café se mostraram á favor em 100% dos entrevistados, a área de despachantes aduaneiros se mostraram á favor em pouco mais de 73% dos entrevistados.
Os entrevistados nos setores de terminais marítimos e empresas diversas se mostraram á favor com 85% e 80% dos entrevistados respectivamente como mostrado no gráfico na parte superior da próxima página, como mostra a figura acima:
A avaliação quanto a “MARCA BRAZIL” demonstra que na questão do marketing internacional ainda precisa ser levantada de modo mais eficiente pelos profissionais a nota “REGULAR” foi obtida em 40% dos entrevistados em todas as áreas, as empresas diversas avaliaram em 80% dos entrevistados como regular, somente foi mencionado a nota “ÓTIMO” na área de Agências Marítimas em menos de 10% dos entrevistados.
Com tudo isso, o Brasil hoje adota uma postura multilateral, fazendo negociações com todos os países do mundo, diminuindo a sua dependência comercial com os americanos o que de certa forma ajudou á aumentar o superávit de sua balança comercial.

Em relação à política externa do atual governo, de modo geral em todas as áreas, os entrevistados se mostraram á favor ao modelo multilateral adotado pelo país, os despachantes se mostraram á favor em 46% dos entrevistados e o setor de armadores com 100% de aprovação .

Em termos de tecnologia nacional há uma discordância interessante entre os entrevistados, o setor de armadores não concorda com a afirmação de que o país possui competitividade com relação á outros países para exportar produtos com maior valor agregado, as diversas empresas que não fazem parte do setor portuário, concordam em 80% dizendo estarem á favor dos produtos nacionais serem competitivos, as outras áreas também se mostraram á favor entre 20% á 40% dos entrevistados.

De fato, o país todavia não é competitivo no setor onde os produtos possuem altor valor tecnológico, as exportações de produtos industrializados aumentaram, más, não o bastante. A pesquisa cita alguns exemplos:
a)nano tecnologia;
b)energia nuclear;
c)microeletrônica.
3. MULTINACIONAIS BRASILEIRAS
Quando mencionado se as multinacionais brasileiras estão preparadas para enfrentar o mercado global, o gráfico se mostra otimista e em todas as áreas mencionadas houve aprovação, somente na área de terminais marítimos houve aprovação em torno de 42% dos entrevistados, nas outras áreas houve aprovação em torno de 80% dos entrevistados, na área de Armadores houve aprovação em 100% dos entrevistados.
A internacionalização das empresas mundiais é uma tendência mundial, apesar das empresas nacionais terem um histórico de procurar investir seus recursos no mercado interno, as grandes empresas nacionais estão percebendo esta tendência com isso buscar novos mercados.

Os principais motivos que levaram as empresas brasileiras a se expandirem no exterior são:
a)Protecionismo: a instalação de indústrias siderúrgicas brasileiras nos Estados Unidos foi uma necessidade para vencer a política norte – americana de proteção às ultrapassadas produtoras desse país.
b)Custo Brasil: a produção das multinacionais brasileiras no exterior esta sujeita a juros mais baixos. Em muitos países, a carga tributária e também os encargos trabalhistas são menores que os do Brasil, e todavia, a partir de 2004, o Real ficou muito valorizado (taxa do dólar muito baixo). Em face disso, houve necessidade de instalar empresas no exterior.
c)Competitividade: o protecionismo, o Custo Brasil, a valorização do Real, as taxas elevadas de juros e a pesada carga tributária diminuem a competitividade.Entretanto, também há outros fatos que prejudicam nossa competitividade. O nosso sistema de transporte é deficiente e caro. Nossos portos não suportam nossas exportações e nosso transporte é em sua maior parte rodoviário, ou seja, mais caro.
4. PROFISSIONAIS QUALIFICADOS
Com relação á outros países, a pesquisa demonstra que de fato na opinião dos profissionais do Porto de Santos, o Brasil ainda não oferece um número suficiente de profissionais qualificados para suprir a demanda interna por parte das empresas, falta mão-de-obra qualificada para que o país possa produzir um número maior produtos com maior valor agregado, somente a área de terminais marítimos houve uma aprovação em torno de 57% dos entrevistados em outras áreas a aprovação alcançou o limite máximo de 20% dos entrevistados.
Em uma reportagem feita pela revista “ The New York Times” (08/07/2008), Artigo, assinado por Andrew Downie, fala da dificuldade de manter um nível elevado de crescimento econômico sem mão-de-obra especializada. De acordo com o jornal, o setor que mais sofre com esta falta é o de engenharia. Várias empresas contratam profissionais estrangeiros porque não encontram no Brasil profissionais com a qualificação necessária, outras áreas mencionadas foram Indústria aeronáutica, petroquímica, metalúrgica, bancos, todos estão competindo pelos melhores profissionais”, afirma o autor, apontando que muitas empresas também buscam estes profissionais no exterior.

O artigo encerra citando o desempenho educacional brasileiro: “o sistema educacional do Brasil está em desarrumado. Nos testes de desempenho acadêmico (realizados a cada três anos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE), realizados com jovens de 15 anos de 57 países, a classificação dos brasileiros é a quarta pior em ciências e a terceira pior em matemática”. Aponta também que a média de escolaridade do trabalhador brasileiro é de seis anos, contra 10 na Coréia do Sul, 11 no Japão e 12 nos Estados Unidos e Europa, segundo dados da CNI.
5. DESVALORIZAÇÃO DO DÓLAR FRENTE AO REAL

Perguntado sobre o problema da desvalorização do dólar frente ao Real o que impede a falta de competitividade dos produtos nacionais com relação á outros produtos de países emergentes, a pergunta dava algumas sugestões de medidas de políticas econômicas que poderiam ser adotadas, alguns entrevistados deram outras sugestões não mencionadas pela pesquisa, o entrevistado representante da Alfândega (Receita Federal ) mencionou o controle de gastos do governo, assim, o governo não precisaria arrecadar volumes de impostos expressivos, o empresário teria condições de aplicar parte do seu lucro na produção de seus produtos para tornarem-se mais competitivos.
O representante da corretora de café “Cacique” menciona uma taxa de câmbio específica para exportação, conforme proposta do Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, a pesquisa não acredita, nesta possibilidade pelo fato de que no Brasil a taxa de câmbio adotada pelo país é flutuante, para o controle da inflação e outros critérios técnicos não mencionados, a representante da Agência Marítima Kuene + Nagel defende a idéia de atrair mais investimentos estrangeiros.
O representante da Agência Marítima Expeditors defende a idéia de diminuir os custos dos fabricantes o que entra em consenso com a idéia de diminuição dos gastos do governo.
Luiz Henrique, um corretor de café ( autônomo ) defende a idéia de uma cesta de moedas,colocando outras moedas fortes no câmbio nacional como o Euro por exemplo, mencionando que outros países adotam esta medida, o que poderia equilibrar a competitividade dos produtos nacionais.
Com destaque ao gráfico a área de despachantes aduaneiros a solução encontrada de câmbio flutuante e redução na taxa de juros foi mencionada em mais de 50% dos entrevistados.
No setor de empresas diversas câmbio flutuante e redução na taxa de juros foi mencionada com 40% de aprovação aos entrevistados e no setor de Agências Marítimas a solução mais encontrada foi subsídios as exportações com 40% de aprovação por parte dos entrevistados, porém, a pesquisa menciona os riscos de o país sofrer represálias por parte da O.M.C. (Organização Mundial do Comércio ) que reprime este tipo de prática no cenário internacional.

A questão sobre como o país poderia trazer mais investimentos externos diretos, a pesquisa procurou mostrar alguns exemplos de como poderia ser feito, visualizando o gráfico, de uma forma geral todas as áreas mencionadas a redução da carga tributária foi mencionada entre 40% á 50% dos entrevistados, somente o setor de Armadores mencionou investimentos em infra-estrutura e energia em torno de 67% dos entrevistados.
Outras soluções não foram mencionadas como a diminuição da questão burocrática, como por exemplo em 1988 a constituição federal criava restrição aos capitais estrangeiros, em 1995 essa restrição foi abolida. Pesquisando publicações da imprensa sobre o assunto, a pesquisa encontrou os seguintes comentários:
A revista Veja, em artigo publicado em 17 – 11 – 1993, mostra-nos alguns efeitos das restrições ao capital estrangeiro: na década de 80, o país abrigava 49% das multinacionais instaladas na América Latina. Essa porcentagem caiu, em 1993, para 22%.
Encargos trabalhistas muito pesados, o que torna o Brasil um país de salários baixos, mas de mão – de – obra cara.
O risco país ( índice calculado por instituições financeiras internacionais que calculam os riscos de se investir em países como Brasil ).
Quem criou esse índice foi o banco norte – americano J.P. Morgan em 1992 e o denominou “ Emerging Markets Bonds Index ( EMBI), conhecido no Brasil como taxa de risco.
7. REFORMAS TRIBUTÁRIAS E TRABALHISTA

Perguntado se o governo Lula iria aprovar uma reforma tributária e trabalhista até o final de seu governo, todos os entrevistados foram unânimes em afirmar de que não haverá reformas tributárias e trabalhistas, o setor de terminais marítimos afirmou em 100% de seus entrevistados de que as reformas não ocorrerão , outras áreas como Agências Marítimas e Despachantes concordam de que não haverá reformas com 87% de concordância.
Armadores e Corretores de café também concordam em 67% dos entrevistados de que não haverá reformas tributária e trabalhista.
A questão das reformas no país,sem mencionar reformas políticas, previdenciárias, são questões políticas, onde a pesquisa entende que as medidas adotadas pelo governo federal são tomadas, não em virtude de questões econômicas, más por questões de interesse político.De fato há uma falta de credibilidade por parte do governo federal, o governo não demonstra em suas atividades algum projeto de reformas tributárias e trabalhistas, ao aprovar uma reforma tributária, o governo poderia dar mais competitividade ao empresário nacional, onde com menos impostos na folha de pagamentos o empresário poderia investir mais em seus produtos, aumentando sua capacidade produtiva.
Ao aprovar uma reforma trabalhista, o governo poderia dar a possibilidade dos empresários de empregarem mais trabalhadores sobre um custo reduzido, porém, o que a Pesquisa entende e compreende a falta de otimismo por parte dos profissionais do Porto de Santos de que o que se enxerga diante do governo federal, um governo que busca arrecadar mais impostos, afim de patrocinar políticas públicas assistencialistas.
8. PROFISSIONAIS QUALIFICADOS

A questão sobre qual seria a melhor qualificação para um profissional de comércio exterior e de relações internacionais, assim como a questão anterior foram mencionadas algumas das possíveis qualificações de que um profissional deveria ter, se analisarmos o gráfico veremos que a opção escolhida em todas as áreas foram ter uma visão e fluência no inglês, o representante da Despachante Aduaneiro ASL menciona uma outra característica “ ser suscetível as mudanças”,
O representante da Agência Marítima destaque três requisitos: ser trilingüe, ler muito,e ser dinâmico.o representante da Área e Cargo, menciona o requisito de ser empreendedor para ser destaque no cenário internacional, a pesquisa entende que não basta somente ter fluência no inglês ou ter uma visão global, más, é preciso que o profissional possua um conjunto de qualificações que o torne um indivíduo completo capaz de exercer suas atividades em diferentes situações.
No momento, como foi dito na questão anterior sobre se o país possuiria um número de profissionais qualificados, o Brasil não possui profissionais com estas características e também não oferece condições para que os indivíduos que pudessem se tornarem profissionais qualificados.
9. CONCLUSÃO
A pesquisa deixa claro que os dados mencionados e as conclusões a que chegou a pesquisa não são de opinião das próprias empresas mencionadas, a pesquisa em nenhum momento conseguiu fazer as perguntas do questionário á nenhum diretor ou pessoa de cargo superior, que pudesse de fato representar a companhia e mostrar o ponto de vista da empresa, a pesquisa somente conseguiu as opiniões de funcionários, profissionais da área que mostraram seu ponto de vista pessoal e que poderiam divergir das opiniões da empresa sobre o qual trabalham, a princípio a pesquisa percebeu uma falta de conhecimentos de assuntos técnicos, referentes á assuntos sobre o tema como economia e política por parte de alguns profissionais da área, embora, se destacassem, por suas atividades de conhecimento em comércio exterior em termos de documentação, tiveram dificuldades em responder sobre assuntos sobre economia por exemplo.
O que de fato, somente comprova a afirmação dos profissionais de que não há profissionais qualificados em número suficiente no Brasil.
A pesquisa concluiu também a falta de credibilidade do governo por parte dos profissionais, em sua grande maioria, não acreditam na aprovação das reformas trabalhista e tributária, os profissionais também não se mostraram confiantes diante dos esforços de entidades como Sebrae, BNDES e Apex,que em sua grande maioria deram a nota “REGULAR”, a “MARCA BRAZIL” diante da opinião dos profissionais também obteve a nota “REGULAR”.
Há consensos entre os profissionais sobre como atrair investimentos externos que é a diminuição da carga tributária, a principal qualificação do profissional da área é de fato possuir uma visão global e perceber as tendências de mercado e ter fluência no inglês, então o que se percebe diante dos profissionais do porto de Santos, uma necessidade de qualificação e anseio por mudanças.
10.REFERENCIAS
Fonte: ASN (11/3/2008)
Edição 1 709 - 18 de julho de 2001
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